<i>Cimpor</i> deve ser pública
O Governo deve intervir «imediatamente» para travar a compra da Cimpor pela brasileira CSN, que lançou recentemente uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a cimenteira portuguesa, defende o PCP.
O sector dos cimentos é estratégico para o desenvolvimento do País
Para os comunistas, que reagiram ao anúncio da operação no dia 19 através de uma nota do seu Gabinete de Imprensa, a posição da Caixa Geral de Depósitos na Cimpor deve ser o «veículo para que o Governo venha a assegurar uma posição maioritária no capital da empresa, garantindo o seu comando estratégico ao serviço do País». Mas o «silêncio demonstrado até ao momento por parte do Governo PS é revelador dos seus compromissos com os grandes interesses económicos que lesam o País», alerta-se no comunicado.
O PCP considera o sector dos cimentos como um dos sectores «estratégicos para o desenvolvimento da economia nacional». O seu controlo por parte do Estado, acrescenta, é a «única forma de garantir a produção de cimento no nosso País e a existência de um sector que dê resposta às necessidades e interesses nacionais».
A Cimpor, recordam os comunistas, é a principal empresa portuguesa na produção de cimentos, com uma quota de mercado de 54,9 por cento do mercado nacional, e posições significativas noutros países, onde possui igualmente unidades produtivas». Actualmente, tem unidades em Souselas, Alhandra, Loulé e Figueira da Foz, sendo os principais accionistas os grupos da construção civil Teixeira Duarte (22,9 por cento) e Soares da Costa (10,7 por cento), os grupos Lafarge (francês com 17,3 por cento) e Bipadosa (espanhol com 6,7 por cento), e ainda a CGD (9,6 por cento) e BCP (10 por cento). Face a isto, defende o PCP, o «centro de decisão e comando estratégico devem permanecer no País».
O anúncio desta operação, que se segue a um «longo filme de guerras accionistas dos principais grupos nacionais e estrangeiros pelo domínio da empresa», evidenciam, como o PCP sempre denunciou, os riscos da privatização de empresas estratégicas: «os capitais privados nacionais, na sua inexorável lógica de privilegiarem os seus estritos interesses, na primeira ocasião cedem as suas posições ao capital e grupos estrangeiros.» A privatização da Cimpor começou em 1994, era então primeiro-ministro Cavaco Silva, e foi concluída por um governo do PS, chefiado por António Guterres.
CSN com cadastro
O grupo brasileiro Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) apresenta-se nesta operação repleta de «boas intenções», anunciando que manterá o centro de decisão da cimenteira em Portugal e continuará a cotá-la em Lisboa. Mas, alerta o PCP, «de boas intenções está o inferno cheio». A prática do grupo em Portugal é, aliás, um bom exemplo disso mesmo.
Enquanto proprietária da Lusosider (sector de produção que fez parte da antiga Siderurgia Nacional), a CSN «avançou com a liquidação da produção de aços planos» e a transformação da unidade industrial do Seixal num grande armazém e entreposto comercial para a Europa dos produtos siderúrgicos produzidos noutras empresas da multinacional brasileira. Em 2007, a linha de produção de folha-de-flandres foi desmantelada, agravando-se desta forma a «dependência do mercado espanhol». Em Abril do ano seguinte, fechou a linha do laminado a frio, tendo ficado a produção limitada à chapa galvanizada.
A acompanhar esta liquidação de produção de parte importante da antiga Siderurgia Nacional, foram despedidos mais de uma centena de trabalhadores e violados os seus mais elementares direitos, ao mesmo tempo que a empresa recebia apoios de sucessivos governos do País. «Aliás, as instalações da empresa estão hoje em boas condições para servir de armazém para a produção estrangeira, instalada que está a ligação ferroviária entre as instalações siderúrgicas e o nó de Coina, com o investimento de 15 milhões de euros de dinheiros públicos.»
O PCP considera o sector dos cimentos como um dos sectores «estratégicos para o desenvolvimento da economia nacional». O seu controlo por parte do Estado, acrescenta, é a «única forma de garantir a produção de cimento no nosso País e a existência de um sector que dê resposta às necessidades e interesses nacionais».
A Cimpor, recordam os comunistas, é a principal empresa portuguesa na produção de cimentos, com uma quota de mercado de 54,9 por cento do mercado nacional, e posições significativas noutros países, onde possui igualmente unidades produtivas». Actualmente, tem unidades em Souselas, Alhandra, Loulé e Figueira da Foz, sendo os principais accionistas os grupos da construção civil Teixeira Duarte (22,9 por cento) e Soares da Costa (10,7 por cento), os grupos Lafarge (francês com 17,3 por cento) e Bipadosa (espanhol com 6,7 por cento), e ainda a CGD (9,6 por cento) e BCP (10 por cento). Face a isto, defende o PCP, o «centro de decisão e comando estratégico devem permanecer no País».
O anúncio desta operação, que se segue a um «longo filme de guerras accionistas dos principais grupos nacionais e estrangeiros pelo domínio da empresa», evidenciam, como o PCP sempre denunciou, os riscos da privatização de empresas estratégicas: «os capitais privados nacionais, na sua inexorável lógica de privilegiarem os seus estritos interesses, na primeira ocasião cedem as suas posições ao capital e grupos estrangeiros.» A privatização da Cimpor começou em 1994, era então primeiro-ministro Cavaco Silva, e foi concluída por um governo do PS, chefiado por António Guterres.
CSN com cadastro
O grupo brasileiro Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) apresenta-se nesta operação repleta de «boas intenções», anunciando que manterá o centro de decisão da cimenteira em Portugal e continuará a cotá-la em Lisboa. Mas, alerta o PCP, «de boas intenções está o inferno cheio». A prática do grupo em Portugal é, aliás, um bom exemplo disso mesmo.
Enquanto proprietária da Lusosider (sector de produção que fez parte da antiga Siderurgia Nacional), a CSN «avançou com a liquidação da produção de aços planos» e a transformação da unidade industrial do Seixal num grande armazém e entreposto comercial para a Europa dos produtos siderúrgicos produzidos noutras empresas da multinacional brasileira. Em 2007, a linha de produção de folha-de-flandres foi desmantelada, agravando-se desta forma a «dependência do mercado espanhol». Em Abril do ano seguinte, fechou a linha do laminado a frio, tendo ficado a produção limitada à chapa galvanizada.
A acompanhar esta liquidação de produção de parte importante da antiga Siderurgia Nacional, foram despedidos mais de uma centena de trabalhadores e violados os seus mais elementares direitos, ao mesmo tempo que a empresa recebia apoios de sucessivos governos do País. «Aliás, as instalações da empresa estão hoje em boas condições para servir de armazém para a produção estrangeira, instalada que está a ligação ferroviária entre as instalações siderúrgicas e o nó de Coina, com o investimento de 15 milhões de euros de dinheiros públicos.»